AMAR O AMOR

 

O que faz feliz não é ser amado.
Ser amado pode alimentar se estivermos famintos, ou seja, carentes.
Mas isso é complicado, porque ninguém se sacia permanentemente. Quem está carente e não cura as causas desta carência, logo estará com fome novamente. Nenhum delicioso prato nutritivo é permanentemente suficiente.O que faz feliz é amar.
Muitas vezes, quando o outro não recebe nosso amor ou limita nossa doação, ficamos tristes. E achamos que o que nos entristeceu foi o afastamento ou a perda.
Mas nada disso tem capacidade real de entristecer um ser inteiro.
O que nos entristece, na verdade, é nos ser vedada nossa maior alegria e realização: amar. Ficamos nos sentindo um pássaro de asas podadas, uma flor sem admirador. Nos é negada a liberdade de amar.

Novamente, tudo ilusão.
Nada disso!
Esta é a tristeza. Sim! Então qual é o antídoto para esta tristeza? É ter de volta o ser amado?
Claro que não!!! Que maluquice é essa de ter?
Repetindo "Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter. Ter deve ser a pior maneira de gostar." José Saramago
Então... sentimos que "temos" a pessoa através do nosso amar.

Vamos então, mais um pouquinho, falar sobre o tal polêmico amor incondicional. O amor é sim incondicional, ele existe independente e sobreposto a condições. Não se escolhe a quem amar. Não se encontra o amor; ele que te encontra.
Não interessa se você queria ser encontrado. O desejo de amar atrai o amor, atrai quem te ame. Um ser protetor por natureza precisa se realizar, precisa proteger, amar. Então ele, naturalmente, atrai quem aceita esta proteção e que pode retribuir. Atrai quem também deseja amar, realizando este amor com a bagagem do ser, um complementando o outro.
Isto é Lei da Atração Universal, é física, não depende de aceitarmos.
O tempo inteiro nossos pensamentos e sentimentos atraem coisas e situações, quer tenhamos consciência, quer não.
Então podemos sempre perguntar:
* Em vez de por que -> Para que?
* O que eu tenho que aprender com esta situação/ fato?
* Que parte de mim há nesta pessoa?
Pronto! Saímos da Matrix e tudo passa a ser, de novo, inevitavelmente e irrefutavelmente belo, perfeito e harmônico.

E o que tem isso de incondicional e por que não acontece de forma incondicional?
O amor é incondicional. Se passa a ter condições, entramos numa Matrix, em qualquer coisa que não é amor (paixão, posse, ciúmes, carência, feridas etc). As vezes esquecemos da vida e ficamos lá. As vezes é só um desvio e, ops, voltamos.
Falamos em post anterior que o sexo é que não é incondicional. Portanto, se há tempero de atração física, sexo, na relação, aliado ao amor, não haverá incondicionalidade, é contra a natureza da coisa.
Acrescento agora o por quê, em minha opinião, deste ir e voltar na Matrix. O ser humano não pode ser incondicional. Bichos amam incondicionalmente, nós podemos potencialmente, mas não amamos.
O ser humano é composto de várias partes, aquelas vozes que dizem "Liga pra ele" / "Não, não liga pra ele.

Algumas destas partes são alimentadas por medo, por ego, por autolimitações e por uma infinidade de coisas que nem imaginamos, mas que estão, a todo momento, involuntariamente, orientando nosso magnetismo de para onde ele deve ir.

Estas partes são as vezes dominantes e, às vezes, conseguimos domesticá-las por um tempo, manifestando a plenitude de nosso ser.
Quando estamos em nossa plenitude, um ser inteiro, podemos sim amar incondicionalmente.
Amar incondicionalmente é que nos realiza, que nos deixa com cara de bobo, aquele sorriso e aqule frescor, sem a mínima explicação, e a melhor hora do dia é a hora que a gente ouve qualquer baboseira do outro e ativa este sorriso mágico.
Não é o que o outro diz ou faz, se fosse uma terceira pessoa a dizer o mesmo, não nos produziria este efeito.
É o amor que nos preenche, quando podemos dedicar, que nos realiza e nos deixa com um sorriso de criança, porque foi inspirado o melhor de dentro de nós mesmos.

Daí, tudo está bem, estamos com asas, plainando...
Um dia o medo invade, acha o terreno propício e criamos expectativas. Queremos, então, decifrar o indecifrável; julgar se o outro merece mesmo o amor que estamos dando.
Deixou de ser amor, virou moeda de troca.

Claro que receber é bom demais; mas entendamos: a gente não ama a casca, a pessoa. Amamos o ser, amamos a energia que está contida naquele ser, amamos seu sabor, amamos o que este ser promove em nós. Ou seja, amamos nossa melhor parte que aquele ser inspira e nós.
Se ele não nos oferece o amor do jeito que gostaríamos (expectativas), deixemos a cargo da vida a sobrevida que o nosso amor terá. Mas por que tentar matá-lo? Por que dizer "vou procurar quem me corresponda!"
Como se fosse simples assim... Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Nosso coração tem que estar vazio para que outro possa ocupá-lo. E eu não tenho fila pra andar, tenho coração.
Não me iludo de que haja comando para esvaziar; simplesmente não há, já aprendi isso. Então por que perder tempo numa guerra perdida contra o amor?
O que nos deixa triste é querer assasinar nossa melhor parte quando colocamos a "fila pra andar".
Se um dia o outro resolver retribuir, haverá um florescimento, germinará uma linda relação, inspiradora, encantadora, exponencial...
Se não for correspondido, o que não acontecerá é a materialização física, nada tem a ver com o amor. O amor sobreviverá o tempo que tiver que ser.
Vamos parar de retrucar e julgar o outro. Atraímos similares. Vamos ver que parte de nós está no outro.

Na hora que apontamos o dedo pro outro e julgamos "Medroso!". Há três dedos apontando para si mesmo. Pergunte-se "De que eu tenho medo?"

Uma vez ouvi que sempre chamamos de covardes aqueles que não atendem nossos desejos.
Quem é egoísta? Não seria quem acusa o outro de egoísmo por ele não querer lhe atender?
Temos uma boca, dois ouvidos, um cérebro grandão no meio dos dois e uma alma linda, ilimitada!
Deixa a vida decidir, deixa o amor existir enquanto quiser existir. Em vez de pensar que o outro não pode corresponder (é essa tirania de querer abreviar que nos faz sangrar), por que não nos darmos, à nós mesmos, a liberdade de sentir sem depender do outro? Por que não permitir a liberdade que, equivocadamente, pareceu que o outro nos tirou? Esta liberdade é a de amar.
E daí se parecermos loucos?
Se sentimos isso, então somos. Somos?
E digo: amar incondicionalmente é um prazer que só nós mesmos podemos nos permitir. Ninguém pode nos proporcionar; pode somente inspirar.
E obrigada a quem inspira, só posso dizer que brincar disso é gostoso demais.
Pra que saber o que vai acontecer, se protagonizar no improviso é tão divertido?

Amar o amor!

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