Carta de Amor não entregue

Uma historinha de amor, numa folha de um diário anônimo, que poderia ser a sua:
"Quando você chegou, me causou medo, ansiedade. Acionou meus mecanismos de controle e tentativas de desqualificar ou abreviar.
Tentei criar motivos para antecipar o final e evitar sofrimentos de abandono, rejeição, traição... Percebi, também, que, quando achava que tudo havia acabado ou poderia acabar quando quisesse, era quando percebia um amor imenso pulsando. Era tudo estranho e contraditório.
Depois percebi que eram só fantasmas e decidi lhe ver com meu olhar de hoje.
Pensei que eu tinha medo de ser infeliz. Mas descobri que meu maior medo é ser muito feliz e me perder de quem sou. O que, certamente, acontecerá, já que desejo ser mais feliz a cada dia. Perder a identidade e o controle deveria, então, ser ótimo. Mas não é simples; é complexo, exige um bocado de dedicação e re-afirmação de vontade e propósito todos os dias.
Hoje percebo que você representava meu Eu do passado. Tentei fugir desse Eu do passado, de mim mesma, de uma auto-imagem que rejeitava, de uma sombra. Anos atrás, na mesma situação, agi de forma raivosa, vingativa e acabei me punindo por muitos anos sem perceber.
Aceitei que precisava perdoar, à mim mesma, perdoar minha mãe, perdoar o casamento dos meus pais e as minhas escolhas do passado.
Achei que tinha feito isso, anos atrás. Mas percebi que pulei este capítulo, me orgulhava por ter sido muito taxativa, pragmática e prática. Não percebia que estava me punindo para punir. Era o que eu sabia fazer. Posso me perdoar agora, vendo este meu eu do passado no seu eu do presente.
Percebi que o que condenei inicialmente de suas opções de agora, sua forma generosa de resolver as coisas, foi o que recebi no passado, mas que não soube identificar como gesto de amor. Percebi, em você, sentimentos de se sentir desvalorizado que eu devo ter causado no passado.
Mas o melhor da vida é que sempre podemos escolher por mudar. E eu venho ratificando esta escolha dia após dia e, só por isso, é que foi possível a sintonização para que você pudesse me encontrar.
Eu vi em você toda a afetuosidade, generosidade e cumplicidade que eu esperava ter recebido no passado, mas que eu mesma não ofereci. Eu vi em você um espelho do meu Eu do presente. Foi muito fácil gostar desta parte. Mas o melhor mesmo foi me perceber gostando da parte sofrida, que sou eu no passado.
Isto contrariou a crença coletiva do príncipe encantado que chega pronto, sem defeitos e que supre a princesa de tudo que ela teve preguiça de desenvolver em si mesma, esperando que alguém o fizesse, espelhada nas opiniões de quase todos os amigos em muitas crenças limitantes e pensamentos repetitivos que eu nem sabia que guardava em mim. Mas que vi, em mim, através de olhar para você. E de perceber como era difícil dignificar o que trazia em sua caixa de presentes.
Você chegou para que eu pudesse me redesenhar no momento em que vivi a mesma situação, e fazer diferente com os recursos que tenho agora, mas que, lá, não conhecia.
Assim, posso me perceber de maneira diferente e recolorir meu passado, revivendo aquele meu momento, através de seu atual momento.
Também posso me perceber de maneira mais compassiva e amorosa, pois quando aceito você que chegou, não montado num cavalo branco, mas sim em trapos e sofrimento, vejo que aceitei e amei a mim mesma quando não sou bem resolvida e alegre, quando estou triste. Pois sou isso também.
Fortalecer a compreensão que, em meu passado e sempre, o sofrimento não é ocasionado pelas circunstâncias e sim pela manutenção do Eu sofredor.
Quando aceitamos plenamente o renascimento e novo Eu, sintonizado com resiliência, compaixão, autoperdão e fé, resgatamos nossa criança, curando suas feridas e dando voz ao coração.
Você não chegou num cavalo branco, mas me ensinou que ser forte é atravessar o lago com crocodilos (seus medos que são meus também) e escalar uma torre bem alta (sua aceitação de tudo como caminho evolutivo, que é minha também).
Mas, que não preciso estar adormecida esperando um beijo para despertar. Posso estar encorajando, nutrindo sua força, acreditando, confiando. Pois, agora, confio em mim mesma, que nosso medo é nosso amigo e é dele, este adubo, que floresce o amor, se amarmos todas as nossas partes.
A capacidade de amar a si mesmo, mesmo quando se tem medo. Medo de nunca acontecer o que sonhamos, medo de não aguentarmos até o final, medo de sermos abandonados e esquecidos ali, naquela tragédia. Medo de não dar tempo e vir a morte.
Esta morte é o temor do ego, da morte de nosso eu antigo, da identidade que já morreu, mas estamos embalsamando e vivendo como múmias.
Posso estar cuidando de mim mesma, sem sentir culpa por estar em segurança, me gostando assim, vivendo assim, ficando cada vez melhor, não só por dentro, mas por fora e mais segura.
Posso saber que ajudar na restauração do guerreiro ferido e cansado é muito mais bonito do que ser acordada de um sono profundo e jogar sobre alguém um bilhão de expectativas acumuladas.
Posso saber que posso, até mesmo, ser vulnerável e estar fragilizada um dia, pois não estou sozinha. Tenho toda esta história, personagens e capacidades em mim mesma, tenho você por perto e, melhor que isso, tenho a vida que me trouxe, nem sempre o que desejei, mas sempre o que almejei e o que precisei. Me trouxe você e sempre me trará TUDO.
Não sei como termina esta história, pois, diferente dos contos de fadas que sempre terminam em "viveram felizes para sempre", esta é a realidade.
Mas não há dúvidas que sempre existe uma missão em cada relação que vivemos e a missão desta relação é muito mais bonita que as que leram para mim quando era criança e que estão tão enraizadas no inconsciente coletivo.
A missão desta relação é a própria relação em si e ela durará o tempo que durar e se transformará muitas vezes. Já me sinto pronta para aceitar o que for em que ela se transformar. Talvez precise ver esta transformação na mesma relação por pouco tempo e depois vê-l-a em novas relações. Talvez veja renascimentos nesta relação por muito anos, sabendo que nem sempre renasceremos ao mesmo tempo e que partos são dolorosos. Mortes e despedidas também.
Quantas vezes teremos que nos despedir de nossos eus do passado? A Alma sabe que isto é atemporal e que a espera, que parece longa hoje, é apenas uma gota num grande oceano da existência.
Não tenho a menor dúvida que o que faço por você, estou fazendo por mim.
Sempre."
Linda nunca entregou esta carta porque percebeu que era, na verdade, para si mesma. Ela ia rasgar, pois, minutos passados, tudo aquilo já era passado. Mas fez diferente: Colou com carinho em seu diário, na data de ontem. Compreendeu que acabara de fazer uma grande reverência a todas as suas partes e à sua trajetória. Na data de hoje ela escreveu em letras gigantes: A vida é para ser vivida e ela é o momento de chamamos de AGORA.
Essa história é a base de quase todas as histórias afetivas. Podemos decidir se seremos egoístas, apenas projetando expectativas, julgando, classificando, excluindo ou se desejamos viver o amor, vivendo o amor. Este amor, real, interior, pleno em si. Um amor que independe da história.

 


 

Sentir, pensar e agir em harmonia.

Nossas maiores estruturas são o corpo, o propósito e as relações.
  • Relações dentro do corpo entre suas partes e com os corpos mental, emocional, energético;
  • Relação entre seus arquétipos (aspectos de personalidade e papéis sociais);
  • Relações intra e interpessoais.
  • Fluxo em todas as áreas da vida, se retro-alimentando.

Realinhamos estes elementos, de forma sistêmica e multidimensional, para retomar o fluxo da vida e da realização.Viver como num jogo de xadrez, calculando o próximo passo, controlando e administrando reações, gera tensão e compressão.

Sentidos como dores na coluna, articulações, disfunções hormonais, ansiedade, depressão, pânico, obesidade e outros.

Através de dores físicas e emocionais e na vida material, o corpo tenta nos dizer, à todo momento, o que é necessário.

Nosso cérebro assemelha-se a um hardware que opera com softwares (programações). Desinstalamos juntos este software  e instalamos a programação atualizada.

Considerando que nosso software está instalado em rede com o todo, a transferência de dados é ininterrupta e transforma cada célula nossa em cada segundo, sofremos interferências de forma passiva e impotente várias vezes ao dia. As emoções provocam descargas, com emissão de ondas e direito a curto circuito e arquivos fantasmas, vírus e bugs variados.

Somente quando você toma conhecimento, você tem poder de intervenção.

Treine suas partes a seu favor. Está tudo dentro de você.  

Todas as realidades sonhadas/ desejadas já são reais em alguma dimensão de você.

Materializamos a realidade da dimensão que mais alimentamos.