De onde vêm os problemas com relacionamentos

Leia até o final, pois a conclusão do texto é que clareia e há um exercício para ajudar a começar a virar a chave ao final.

Em algum momento de nossa vida - que é um caminhar evolutivo, mesmo que não queiramos -, buscando relacionamentos felizes ou buscando a felicidade dentro dos relacionamentos ou no fim deles, vai aparecer uma parte nossa a ser curada.

Esta parte nossa, é um aspecto de nossa personalidade. À grosso modo, nosso aspecto masculino e/ou nosso aspecto feminino.

Isso se desmembra em muitas faces. A capacidade de sentir, a capacidade de discernir, a capacidade de enxergar o outro, a traição, abandono ou rejeição latente como forma pensamento do sistema familiar ou sociocultural, a dificuldade de equalizar conflitos e sonhos na relação...

Infinitas faces que temos em nós mesmos, como peças de quebra-cabeças interno que vemos refletidas nas pessoas que fazem parte de nossa vida e/ou de nossas memórias.

Os relacionamentos saudáveis ou a resolução harmoniosa dentro dos relacionamentos acontece quando estamos com nossas polaridades integradas internamente.

Polaridades são estas vozes opostas complementares internas que podem estar operando em antagonismo. Faço isso ou faço aquilo? Ou não faço? Ou desisto? Como me livrar das vozes internas do pensamento incessante que impede a ação, o avançar?

Por que as histórias se repetem comigo?

Integrar significa uma reconciliação destas partes nossas (vozes).

Podem acontecer até mesmo doenças físicas ou psíquicas mostrando a falta de uma parte, uma parte que foi excluída, renegada e, sem ela, não podemos caminhar.

Endometriose, miomas, obesidade, depressão, fibromialgia, diabetes, pressão alta, dores nas articulações, problemas de fígado, de rins, tireoidismo... Estão nos contando uma história que podemos ouvir.

Nesse sentido o autoconhecimento e as terapias vão auxiliar. Em primeira instância diz-se que precisamos curar nosso pai e mãe.

Mas digo que é mais sutil. Não é perdoar pai e mãe. Isso ainda seria nos colocar numa superioridade de julgamento.

Também não é suficiente aceitar que foi como foi.

É preciso abençoar aquilo que recebemos como muito maior do que o que deixamos de receber.

Mas é mais sutil ainda. Não é porque temos que, não é porque não seremos felizes enquanto não integrarmos. Isso também é verdade. Mas é muito mais. É porque nossos pais, os pais deles e os pais dos pais deles, e toda a ancestralidade na terra representam nossos arquétipos do homem e da mulher que estarão se relacionando.

Integrar pai e mãe é apenas o caminho mais fácil. Quando julgamos que um deles poderia ter feito mais ou mesmo quando não contestamos o julgamento outrora, lá no passado, que foi feito a um bisavô, tataravó, etc, estamos aceitando que seja suprimido em nós o arquétipo que aquela parte do quebra-cabeças representa em nós.

Recebemos por genética muitos tesouros. Por exemplo: a capacidade de sonhar de um pai, pode ser o grande tesouro geneticamente que nos levará ao sucesso. Mas se este pai abandonou a família para viver seu sonho, então sua capacidade de sonhar é julgada, condenada, lacrada e engavetada. Vamos suprimir isto em nós mesmos. E por aí muitas, muitas, nuances que não caberia aqui falar.

Mas ainda é bem mais sutil que isso. Agora vem:

Quando somos crianças e adolescentes, tendemos a julgar o pai pelo que ele faz com a mãe e julgar a mãe pelo que ela faz com pai. Esse julgamento é sutil e bonito. Bonito porque fazemos isso por amor àquele que consideramos vitima. E bonito porque desenvolvemos nobreza em nossa personalidade, através de querermos fazer melhor que aquele que consideramos algoz.

Isso vai se repetindo em muitos pequenos fatos.

Quando acontece um grande fato - separação, abandono (abandono pode ser por morte, pois o sentimento de abandono vem das consequências), traição, abusos, crimes - acontecem três grandes internalizações quase que definitivas sobre nossa parte homem/mulher, futuro companheiro. Formamos três grandes paradigmas que nos desenharão como cônjuge/ namorado:

1. Nutrimos a forma-pensamento já presente no sistema familiar e/ou sociocultural e isso se torna uma maldição de família. Traição, decidir ficar sozinho, doenças hereditárias...

2. Assumimos quase que definitivamente o padrão de comportamento do que consideramos vitima.

3. Assumimos o lugar/ posto daquele que consideramos algoz.

Aí é que vem o pulo do gato.

1. Quando perdoamos no sentido de aceitar com gratidão que foi como foi e até mesmo amarmos aquela escolha como o caminho divino evolutivo daquelas pessoas que vieram antes de nós, a forma-pensamento que já vem de longa data, se dissolve através da emissão de amor para o fato e para todos os envolvidos. Quando vemos que aquilo, por mais que tenha causado dor, tenha sido o melhor (mesmo!) para todos os envolvidos e caminho de aprendizado. E só porque foi daquela forma é que estamos aqui e agora com a vida e com tudo que realizamos.

Por isso ir lá atrás na história dos antepassados, não é a solução, mas o caminho para chegar a esta compreensão e dissolver o julgamento, dando lugar ao amor verdadeiro e incondicional para que a forma-pensamento (padrão de repetição familiar) seja dissolvido. Por isso, quando fazemos uma constelação e alcançamos este resultado, não libertamos somente a nós, mas a todos os antepassados e todos os descendentes. Foi a forma-pensamento, a maldição, que foi extinta. A libertação e liberdade real para novas escolhas tem espaço para acontecer.

Se eu julgo que não tive uma boa mãe, posso até mesmo desenvolver endometriose - por exemplo - para justificar a mim mesma, para contrariar a minha essência, meu instinto maternal e não correr o risco de ser uma mãe igual.

Como pode meu ego permitir que me essência se realize, que eu me apaixone e case, se todas as mulheres da família foram traídas, abandonadas e ficaram sozinhas, doentes, pobres e amarguradas? Como posso ser libidinoso se a mãe que eu admiro optou pela castração e é tudo aquilo que eu amo? 

É uma proteção que causa repetição.

Passamos um tempo fugindo disso em relações casuais e/ou depois repetimos nas relações estáveis, pois ainda precisamos curar para ter uma relação feliz. Ou teremos que curar mesmo, talvez num tempo sozinhos ou bancando mesmo se olhar e olhar todos os envolvidos numa relação que já não está boa, antes de encerrá-la, para termos uma realmente boa a significativa historia de amor.

Agora vem o mais significativo:

2 e 3. Quando julgamos nosso pai, entramos no lugar dele por amor. Quando julgamos nossa mãe, entramos no lugar dela por amor. O que isto acarreta?

Você se torna casado, consertando o que aquele que julgou não fez direito.

Você se torna casado com seu pai ou com sua mãe.

E o que vem?

Seus companheiros de relacionamentos serão SEMPRE o segundo. Nunca terão espaço completo. Sempre se verá tendo que escolher ou renegando a mãe para ter uma esposa, ou renegando o pai para ter um marido, ou sofrendo cada vez que tiver que escolher entre um e outro num evento ou para dar uma ajuda... Isso sempre se repetirá, ameaçando a plenitude do seu relacionamento amoroso. E se seu namorado faz isso, sofre cada vez que tem que escolher entre levar a mãe no supermercado ou passar um dia com você; Se sua namorada nunca te dá espaço suficiente para ser homem de verdade em sua vida, é sempre muito autossuficiente, é porque você tem igual em você. Cada um precisa incluir no sistema e em seu coração, não só o pai, a mãe e todos os antepassados, mas, principalmente, suas escolhas.

Minha mãe era rude com meu pai, meu pai era galinha, minha mãe era rejeitada, minha mãe ficou sozinha e abandonada sem ter como se prover, meu pai ficou deprimido quando minha mãe o abandonou...

Julgamentos.

O que quero dizer é: Nosso pai é nosso pai e nada temos a ver com - nem a fazer - sobre sua historia com nossa mãe.

Nossa mãe é nossa mãe e nada temos a ver com - nem a fazer - sobre sua historia com nosso pai.

Quando tomamos as dores, tiramos o pai do lugar de pai e o colocamos no lugar de nosso marido. Mulheres se tornam mais yang do que yin por isso.

Quando tomamos as dores, tiramos a mãe do lugar de mãe e o colocamos no lugar de esposa. Homens se tornam indecisos e confusos por isso. Carentes, não amados.

Isso também diz respeito a avós, bisavós, trisavós etc. Até mesmo histórias que nem conhecemos.

É claro!

Ninguém pode ocupar com propriedade um espaço que já está ocupado.

Nossos namorados, cônjuges, viram amantes. O segundo. Alguém já está ocupando o lugar principal. Daí transferimos pro outro que ele não tem atitude, que não muda, que não nos ama, que não luta pela relação.

Claro. Este outro nunca se sentiu, de fato, o principal. Nunca permitimos.

Não dá para resolver no campo das ideias, do entendimento, tem que ir pro coração. Tenho certeza que já entenderam. Mas como mudar?

Lembram?

Não estamos falando exatamente dos pais nem avós, estamos falando de nosso arquétipo interno de cônjuge numa relação que vemos refletido neles. Estamos assumindo uma missão de acolher nossa ação anterior de julgar por amor. E agora vamos alcançar nova espiral que é o amor incondicional para podermos receber igual.

Para integrarmos masculino e feminino internos.

Então o que fazemos?

Como caminho, precisamos incluir TOOOOOOOOOOOOODOS os homens que foram excluídos do sistema e incluir TODAAAAAAAAAAAAAAAS as mulheres excluídas (criminosos, traidores, adúlteros, grosseiros, agressivos, compulsivos, desertores da família...) . Precisamos de uma ação de inclusão.

Muitas pessoas não tem um relacionamento bom porque todos os homens foram excluídos. Se foram embora, então não prestam mais. E por aí vai.

Mas o que quero propor, além do emergencial que é incluir?

Olhem para cada uma destas pessoas que foi embora da família, que fez alguém sofrer, e abençoe, agradecendo a parte genética que você traz em você.

Digamos: Um pai que abandonou e foi para outro país, é adicto de algum vício, mas foi para buscar um sonho, é talentoso, artístico, carismático etc. Agradeça esta genética que você traz em você.

Faça isso para cada uma das pessoas, mesmo a que você acha que não julgou.

Agradeça a genética que você traz em você de tudo o que é bom. Isso também para avós, bisavós e todo o sistema sociocultural em que vive (etnias, minorias excluídas), agradeça tudo que estes grupos lhe deram em genética.

Faça um esforço, porque você tenderá a não lembrar da parte boa. Você está acostumado a repetir a historia que ouviu. Mas a historia que ouviu pode ter sido uma grande vingança de alguém amargurado,

Muitas vezes um pai ou mãe que não foram carinhosos, no sentido físico, pois foram repreendidos por demonstrar carinho. Ou por terem sido abusados ou por terem recebido repreensões de alguém que carregava histórico de abuso de si mesmo ou de ancestrais. Há tantas coisas que desconhecemos...

Os tempos antigos eram tão diferentes...

Não precisamos saber, precisamos abençoar. Abençoar, em meu ver, é emanar amor. E este amor, para chegar lá, passa por dentro de nós. E ilumina.

Hoje começo o exercício, para exemplificar, agradecendo minha genética. Peço que leiam, pois, conforme lerem, estarão abrindo espaço em seus corações para poderem experimentar também.

Não quero ler comentários, desta vez, sobre minha sabedoria, apesar de ser muito grata e ficar sempre muito bem com eles. Prefiro ler comentários sobre suas sensações a experimentar fazer o mesmo. HOJE. Não tem tempo para ser feliz e livre para suas escolhas, a não ser exatamente AGORA.

Abençoo e agradeço e envio muito amor como gratidão para:

Avô paterno Pedro: Agradeço ter sido pioneiro, retirante do nordeste corajoso que saiu da pobreza e veio para RJ fez faculdade, se tornou escritor e funcionário bem sucedido. A você eu agradeço a coragem de ousar e crescer que trago em mim, assim como a facilidade com administração de contas e a escrita.

Avó paterna Gloria: Agradeço por, apesar de ter ficado orfã com 5 anos, ter sido mãe de muitos. Hoje percebo que seu amor era tanto que sufocava e tirava força, mas era muito amor e agradeço. A você eu agradeço a capacidade de amar intensamente, o cuidado com a família, a ambição positiva e a conduta moral que me protegeu de ser abusada.

Avó materna Josefa: Agradeço por, apesar de ter ficado orfã com 5 anos, ter me ensinado a não desistir das pessoas que ama e assumir que não gosta de ser sozinha. E, principalmente, a capacidade de se reinventar nas condições mais inóspitas que se pode experimentar, como quando teve seu corpo todo queimado e soube se levantar com garra e coragem. Eu agradeço minha capacidade de me reinventar. Agradeço também o diabetes que me lembra todos os dias de não me sobrecarregar.

Avô materno Severino: Agradeço a origem que traz de negros e escravos, sua simplicidade, sua coragem de recusar viver no RJ e preferir sua vida em suas origens. O que chamaram de abandono, eu troco por autenticidade. Eu agradeço o jogo de cintura, dignidade, honra que trago de sua origem ancestral, assim como, apesar de ambiciosa, valorizar a simplicidade, a cura pelas ervas, a ligação com a terra e com os elementos da natureza. Se não fosse você me dar sua genética, como poderia manifestar minhas sabedorias de lidar com os elementais de vidas passadas? Gratidão, você é o avô certo para mim.

Pai Rubens: Ah, papai... tantas coisas a te agradecer. Só mesmo você e minha mãe assumiriam um acordo espiritual tão bonito. De nos gerar e não nos criar. Para que pudéssemos receber dos meus tios e os aprendizados evolutivos que precisávamos. Você gerou cinco filhos e, ainda que não estivesse sempre conosco, você nos deu a genética da capacidade de sonhar, do empreendedorismo, do foco de se manter alinhado com talentos e missão, de bancar o risco de ser julgado e rejeitado por não abrir mão de seus sonhos e convicções, pelas noites que me ensinou sobre sexualidade e sobre espiritualidade, que me falou sobre seus sentimentos, com seu gin na mão. Me explicando que nunca deveria beber para ficar bêbada porque isso é perder a sua essência. rsrsrs Risos emocionados lembrando de sua peculiaridade polêmica e contraditória. Eu te agradeço a genética de priorizar o profissional e a autorrealização, de confiar na força dos filhos como iguais, de falar sobre quaisquer assuntos com autenticidade e segurança. Te agradeço gostar de uma boa conversa filosófica sobre a vida e os seres humanos e seus comportamentos, o borogodó rsrs, o swing para dançar, o gosto pela boa música e pelas artes, a valorização das pessoas pelo que elas são e não pelo que têm. Para que você não se corrompesse, você abriu mão de estar com os filhos. Eu te agradeço a rigidez, pois ela não deixa que me corrompa em meus valores, como você não se corrompeu nos seus. Você foi corajoso para não colocar os valores sociais e morais acima dos seus de alma e eu trago isso de você. Eu agradeço e abençoo.

Mãe Sueli: Você é a pessoa que simboliza toda a capacidade de cuidar, abnegação, amor intenso e incondicional infinito que conheço. Também admiro sua capacidade de se desligar completamente quando o assunto é dor e não procurar entender, mas só deixar passar. Te julguei muito por isso e hoje agradeço ter aprendido com você que a dor nem sempre é de se entender, às vezes é só de se deixar passar... Para que o amor possa ter novamente espaço para preencher e curar. Em silêncio.

A você eu agradeço a genética de não ter rugas, da musculatura firme e dura nordestina, o borogodó, a alegria, o amor, a capacidade de cuidar, o desapego, a aceitação, a resiliência, o diabetes e as dores articulares que me lembram sempre de não me sobrecarregar e me perder no cuidar, esquecendo de mim mesma. Eu abençoo tudo que trago de você em mim.

A todos os meus antepassados indígenas, negros, portugueses, nordestinos; à minhas vidas passadas guerreira, sacerdotisa, florista, celta, louca... Eu agradeço e abençoo por ser tudo que sou hoje. Porque tenho tudo que preciso para alcançar o que quero fora e dentro de mim. Eu sou filha do cosmos e ainda assim vocês se emprestaram em gens, contextos, útero para que eu pudesse estar aqui hoje e manifestar o meu melhor.

Vocês me mostram meu merecimento. De estar aqui, encarnada na terra com tanto de bom a viver e realizar. Abençoo suas lindas histórias e assim posso me amar por inteira. Transbordo este amor para que possa chegar um espelho, uma alma gêmea que reflita esta leveza e dissolução no todo que experimento neste exato momento.

Gratidão.

 

Por Adriana Mangabeira 11/04/2015 

 

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