Organizações Sistemicamente Antenadas com o Sucesso

As organizações são espaços sociais, onde as pessoas interagem no sentido de gerir os recursos recebidos do ambiente para produzir bens e serviços.

O ambiente de uma organização é complexo.

Pode-se afirmar que organizações sistemicamente saudáveis assumem uma personalidade, identidade, razão de ser e compreende claramente qual seu papel no ambiente onde atua, isto é, qual sua responsabilidade perante os elementos do ambiente operacional e, até, do ambiente geral. A personalidade organizacional é o resultado das interações das personalidades dos vários indivíduos que a compõem e, até mesmo, daqueles que, embora não lhe fazendo parte integrante, com ela mantém relações de influência. No entendimento de Lawrence e Lorsch (1973), não são as organizações que têm objetivos, mas sim as pessoas. Significa dizer que os objetivos das organizações decorrem dos objetivos dos indivíduos e por estes são estabelecidos. Os indivíduos incluem colaboradores, parceiros e clientes, com uma espécie de vida própria que vai se formando a partir das redes de relacionamentos, como conseqüência da qualidade das relações.

Os relacionamentos internos e externos da organização passam a ter parâmetros, diretrizes e limites, reduzindo mal entendidos, evitando perda de energia, retrabalho e desperdício de recursos e outras formas de perdas. Com objetivos mais claros há maior compreensão dos rumos a serem seguidos e, por isso, melhor alocação de recursos, no sentido quantitativo e cronológico.

Tudo gira em torno de abandonarmos o obsoleto e limitado pensamento cartesiano e nos alinharmos ao mais atualizado modo de gestão empresarial, que utiliza-se do Pensamento Sistêmico e do Pensamento Complexo. Nestes o foco muda para relacionamentos e processos, a liderança é compartilhada, eficiência e eficácia são substituídos por competência, comunicação assertiva e cooperação, o autodomínio dá lugar a alavancagem da riqueza pela diversidade. No pensamento complexo, as variáveis se influenciam entre si.

Estas organizações são dotadas de “vida”, de um sentido, de uma razão de ser: a missão. Esta transcende os aspectos negociais e materiais, porque sua missão passa a fazer sentido interna e externamente. Quando as estratégias são geradas, há filtros que definem o quanto são levados em consideração os valores e a responsabilidade perante esses diversos públicos.

Uma organização sistemicamente saudável compreende o mundo pela visão da complexidade. O modelo de interpretação do mundo é o modelo complexo, onde passado, presente e futuro constituem um todo e onde as distancias só existem geograficamente.

O primeiro passo é “ler” o ambiente organizacional para identificar os sinais emitidos pelos vários públicos que se interessam pela organização. Esse procedimento é imprescindível para que a organização atue de forma sintonizada com o seu ambiente e significa um entendimento de harmonia. De acordo como  pensamento complexo, os elementos do ambiente empurram as fronteiras e influenciam fortemente o ambiente organizacional.

Um ambiente saudável, hoje, não admite mais uma organização que gere e não trate seus resíduos. Os resíduos são desde a poluição ambiental até os mais abstratos (resíduos emocionais deixados por conflitos e danos emocionais, físicos ou mentais causados aos colaboradores).

Antes de compreender a irracionalidade e as perdas como desvantagens para si, uma organização sistemicamente saudável compreende que se configuram como desvantagem para todos, tendo em vista que os recursos provem do ambiente e os bens e serviços produzidos a ele se destinam.

Por isso, há a necessidade de uma relação transparente, verdadeira, duradoura, baseada no respeito mútuo, na responsabilidade e na mútua confiança.

Não se perde a noção de que os recursos humanos são os únicos que têm vontade e que desenvolvem suas atividades a partir dos níveis de motivação e comprometimento. Portanto, não são meras peças sobre as quais incidem a vontade dos gestores. Incorpora e faz transparecer nos seus processos operacionais, filosofias, e políticas a atenção, o respeito e a coerência na importância que dá aos seus recursos humanos. Essa atitude está expressa através da declaração de missão e valores.

Os gestores de uma organização sistemicamente saudável são lideres atualizados e compreendem que cada indivíduo é um mundo em si mesmo. Cada um é diferente dos demais. Mais que isso: cada um é diferente de si mesmo, ao longo do tempo. Então, gerir a contribuição de pessoas é gerir individualidades. Quem gerencia pessoal, gerencia manadas. Para obter o melhor de cada um é preciso entendê-lo como individualidade, com necessidades e expectativas específicas.

É claro o entendimento de que as organizações não vivem para si, mas para atender as necessidades e expectativas do ambiente-sociedade. Evidentemente, não faz sentido que esse entendimento seja negado no funcionamento de uma organização, pela negligencia, exploração ou desrespeito em relação aos seus próprios colaboradores.

Os colaboradores são parte importante do comportamento típico de uma organização sistemicamente saudável. A eles é oferecido um ambiente de trabalho de boa qualidade física (espaço, iluminação, temperatura, ergonomia dos equipamentos) e social (clima organizacional saudável). Além disso, essas empresas praticam respeito à individualidades e diversidades, oferta de programas de capacitação e incentivo ao autodesenvolvimento, sem distinção pelas diversidades para oportunidades aos cargos e programas, programas de  benefícios extenso a família e outros.

Os resultados são eficiência, eficácia e efetividade, satisfação, sobrevivência, desenvolvimento e sustentabilidade, porque uma organização sistemicamente saudável cumpre sua missão e realiza sua visão de futuro, obtendo como resultados a sobrevivência e o crescimento.

Nestas organizações está presente a busca de relações do tipo ganha-ganha. Uma organização sistemicamente saudável não coloca em risco a sobrevivência dos parceiros de “jogo” e muito menos compromete a possibilidade de encontrá-los em parcerias futuras. A durabilidade das relações, com ganhos permanentes, está acima da ganância exagerada, acima da busca de ganhos imediatos.

Para estas organizações, os clientes são considerados parceiros principais. São entendidos como a razão de ser da organização e suas necessidades e expectativas definem o processo de transformação de recursos em bens e serviços. Os clientes não são meros compradores eventuais e, por isso, não devem ser explorados.

A eles são oferecidos bens e serviços de qualidade a preços compatíveis, melhor qualidade no atendimento, resolução imediata de problemas ou explicações esclarecedoras no caso de isso ser impossível. Alem disso, procura-se proporcionar conforto nas instalações e boa capilaridade dos pontos de distribuição de bens e serviços, equipamentos ergonômicos e sistemas amigáveis (no caso de auto-atendimento) e bom atendimento pós-venda.

Para os fornecedores, essas organizações praticam uma relação de parceria transparente e duradoura, o cumprimento das clausulas contratuais, principalmente pagamentos em dia. Esta não compromete o fluxo de caixa de um fornecedor para obter vantagens de quaisquer tipos, pois compreende que isso implica em aumento de custos que seriam repassados aos clientes, portanto uma escolha nada inteligente.

Uma organização sistemicamente saudável não é um lugar onde se exercita suas capacidades de derrotar “inimigos”, mas um ambiente onde deve realizar sua razão de ser (missão), pelo atendimento das necessidades e expectativas dos seus públicos de interesse. Os clientes são a razão de sua existência, os relacionamentos com parceiros são respeitosos e duradouros, o governo é um aliado de regulação e defesa social e, finalmente, os concorrentes não são inimigos, mas potenciais parceiros.

Uma organização sistemicamente saudável retira da palavra “estratégia” a conotação militar de procedimento para levar vantagem sobre o inimigo, pois ela não tem inimigos. Ela enxerga o ambiente de ação como um espaço favorável a realização de alianças estratégicas, inclusive com seus concorrentes. Esse tipo de organização convive melhor em clusters e arranjos produtivos, em que a competição convive com a cooperação.

Organizações sistemicamente sustentáveis são concorrentes leais, éticos e capazes de firmarem alianças estratégicas com outras empresas, sejam alianças formais ou não. Aquelas que podem ser enquadradas como éticas estão mais próximas da sabedoria do que da razão, compreendem o que é o bem para a totalidade e qual sua responsabilidade na construção disso, pondo-se a caminho nessa direção, espontaneamente.

O governo passa a ser aliado em movimentos, eventos e campanhas de marketing social.

Como dizem Machado-da-Silva e Barbosa (2002:11):

A competição organizacional, portanto, não se dá apenas por meio de fatores econômicos. Os recursos pelos quais se compete são, além de técnicos, de ordem institucional. As organizações são tomadas por exigências de conformidade a padrões técnicos, mas também sofrem pressões de outras organizações e da sociedade como um todo para se adequarem aos padrões de conduta socialmente aceitos. Essas pressões requerem componentes simbólicos, tais como: reputação de eficiência, prestígio e conduta socialmente legitimada.”

A visão complexa de mundo não fala de culpa, mas de responsabilidade. Todas as pessoas e organizações são cobradas pela desarmonia que instalarem no universo. Em contraposição, são recompensadas pela harmonização ou re-harmonização que proporcionarem. Para elas também esta em ação a lei da ação-reação. Seu destino está diretamente ligado ou destino de seus públicos. Por isso, se comporta como corresponsável pelo índice geral de felicidade e realização que acontece no seu espaço de atuação.

Desta forma, não se fala de Filantropia, mas de Responsabilidade Socioambiental. Não há mais o comportamento Minimalista, que prima pelo cumprimento da legislação apenas, nem Discricionário, que usa a Filantropia para Marketing. Não há fomento a caridade, mas sim a cidadania; não há ações individuais e voluntárias nem honras a figuras individuais, mas trata-se de uma ação coletiva e incentivada com decisão consensual, mas com liderança e gerenciamento. Assume-se uma estratégia de cidadania integrada ao negócio.

Quando fala-se de Ética Corporativa e de Responsabilidade Socioambiental Corporativa, “há um reconhecimento de que ética, cultura e valores morais são inseparáveis de qualquer noção de responsabilidade empresarial.” (Ashley et al, 2002:49)

Um comportamento competitivo e unidimensional passou a ser amplamente difundido e aceito a partir da Revolução Industrial, quando se configurou o mercado autorregulável pela oferta e demanda. Mas não desapareceram da sociedade os valores de responsabilidade mútua, dependência coletiva e reciprocidade, em que podemos constatar pelo interesse que hoje desperta o estudo da Responsabilidade Socioambiental nas empresas.

Esse interesse cria espaço para o chamado Terceiro Setor e formação de redes, parcerias, fóruns e conselhos, assim como uso das expressões: desenvolvimento local, desenvolvimento comunitário, desenvolvimento sustentável, responsabilidade social, qualidade de vida, sustentabilidade sociomabiental e economia solidária.

Desta forma, elementos, relações e variáveis constituem redes orgânicas, dinâmicas e multidimensionais que precisam estar constantemente sendo vistas e revistas, alimentando relações assertivas e em conexão, não mais autorreguláveis, mas sustentáveis.

Bibliografia: Espiritualização nas empresas – Roberto Pinto – Editora Qualymark

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