Por que não consigo mudar?

 

Muitas vezes já sabemos etapas que devemos finalizar, caminhos que devemos tomar ou, às vezes, não sabemos o que fazer, mas sabemos que mudar é urgente.

E por que, mesmo assim, não conseguimos mudar?
A infinidade de emoções que sentimos pode ser resumida a cinco únicas emoções, em todos os seres humanos, e todas estas emoções se derivam unicamente do medo.
O medo é um mecanismo do ego, que funcionalmente, nos garante a sobrevivência. É o medo de morrer que existe essencialmente. O ego nos garante não pularmos do 10º andar porque existe um registro de que isso causa morte. Mas o ego trabalha unicamente a partir de memórias ou de crenças. Ele não cria nada novo. Quem cria é a consciência, a partir da ligação com a consciência do todo. Esta ligação garante recebermos a todo momento orientações e conduções a caminhos prontos, fáceis, fluídos.

É preciso desindentificar do ego para estar cada vez mais centrado na consciência. Desidentificar do ego é basicamente saber que você não é isso ou aquilo, uma autodescrição. Você é um ser em constante transformação, com capacidade de criação de novas realidades, a partir de infinitas possibilidades, que conseguimos perceber passo a passo, expandindo, ampliando nossas percepções, visões de mundo, conceitos. Sabendo que há muito mais do que se pode ver e que não se enxerga o final de uma estrada cheia de curvas. É preciso ter coragem de decidir avançar e caminhar, passo a passo, descobrindo novos horizontes e refazendo planos, adaptando a si mesmo ao melhor que a vida nos traz, ao novo.

Em qualquer superação em nossas vidas, acontece a concepção e parto de uma nova consciência. O ego é o único que morre nesta "morte e renascimento" que acontece repetidas vezes em nossas vidas. Identificados com o ego, ficamos chorando tudo que não foi, o que "não deu certo". Conectados a consciência, olhamos pra frente e não pra trás, olhamos o que pode ser criado de novo a partir dali. Isso se chama amadurecimento. 
Uma função maravilhosa do ego é que nele nascem os desejos. Os desejos nos impulsionam. Mas é preciso ver que os desejos são somente o motor de arranque. O caminho é que é a grande descoberta, fonte de aprendizados e de encantamentos surpresa. A consciência guia para usarmos todas as trilhas, placas de orientação invisíveis a partir do sentir, da conexão com o fluxo incessante e perfeito da vida, que explode e acontece a cada dia.
Quando crianças, choramos pelo Todinho, pelo brinquedo, pelo colo. Crescemos e continuamos a chorar pelo emprego, pelo relacionamento por todos os nossos desejos não atendidos. A criança, porém, logo olha pra frente, para a brincadeira mais interessante que se apresenta, para as novas possibilidades. O adulto vai acumulando desejos não atendidos classificados como fracasso, quando identificado com o ego. O ego vai tendo cada vez mais registros, mais memórias de "fracassos" e começa a ter medo de morrer de novo. E nós, quando identificados com o ego, sentimos medo de fracassar a ponto de nem tentar de novo. Criamos justificativas altamente elaboradas e de alta complexidade para nos convencer de que não vale a pena tentar aquilo que mais sonhamos de novo ou focar nos obstáculos, fechando os olhos pros atalhos que agora já somos capazes de enxergar, com mais experiência acumulada.
A conexão com a consciência precede basicamente do amor incondicional a si mesmo, compaixão consigo, com seus processos, vendo a beleza e as superações, vitórias de cada dificuldade enfrentada na vida. Afinal, cá estamos vivos e inteiros. Havendo compaixão por si mesmo, nasce, então, a compaixão, pelo outro, pela vida como ela é. Aceitação.
Mas não há espaço para compaixão onde há ressentimentos. Re-sentir, sentir de novo algo que não é mais real no presente. Isso também deriva, novamente, do medo de repetição. É preciso limpar as mágoas que estão sendo ressentidas e isso consiste em autoperdão. Não conseguimos perdoar verdadeiramente ninguém se não formos capazes de nos perdoar por ter "fracassado". Do contrário, qualquer movimento por buscar positividade é como passar verniz em um móvel empoeirado. A poeira (crenças que sustentam o medo e o ressentimento) fica cada vez mais incrustada.
Seria simples se, ainda assim, compreendendo tudo isso, muito ranço não permanecesse ainda em nosso ser. Por quê?

Porque muito trazemos de outras vidas e/ou de ancestralidade, gestação, além de memórias inconscientes de infância ou passado sem a luz do consciente. Ficam esquecidos para proteção contra a dor. Mas se mostram presentes, justamente para serem limpos, na projeção das historias velhas sobre as novas. Ficamos repetindo um padrão e reforçamos as crenças de que sempre será daquela forma. Já começamos novas historias sejam profissionais, afetivas, familiares, com crenças baseadas nos traumas, culpas e fracassos do passado.

As terapias existem justamente para que tais conteúdos inconscientes sejam revelados e limpos, ressignificados e, assim, possa haver espaço para nascimento da compaixão a si mesmo e, a partir daí, o exercício de criação da vida desejada a cada pequeno instante. Transformar o que parece o tempo todo serem testes ou provas ou provocações da vida em oportunidades para exercer o direito, mas também dever, de escolher, a cada ato, caminhar para onde se sonha estar e não para onde está sendo levado. 
O medo pode, inclusive, gerar crenças que nos levem a nem buscar ou acreditar nesta possibilidade de transformação e vida baseada no amor pleno e comunhão com o todo. Nesta hora é preciso coragem (cor-agem = agir pelo coração) para avançar e ousar ser feliz, amado e realizado, mesmo que o mundo inteiro não seja, mesmo que não pareça possível. Coragem não é ausência de medo, é avançar apesar do medo.

E, então, passa a resumir-se apenas a uma decisão. Não precisamos saber o que fazer e como. Precisamos justamente abrir mão de fazer e controlar. Decidir sintonizar com esta generosidade da vida que aguarda a nossa generosidade para com ela, em oferecer o que temos de melhor: a manifestação de nossos dons e talentos em criação de uma vida mais feliz, que inspire os outros ao nosso redor, que os contamine a agir de forma amorosa e construtiva também. Decidir olhar como o Universo se sustenta e a vida acontece todos os dias sem precisar de uma ação nossa sequer, nem ao menos para comandar "respirar" ou "o coração bater". Tudo é autossustentável, a vida e seus movimentos se impõem sempre. Decidir não precisar mais de enredos de dor e dificuldade como razão da vida e ousar viver uma vida em aceitação, motivada por receber tudo o que a vida oferece, usando nossos dons, talentos, habilidades para fazer o que amamos, simplesmente para viver feliz. 
Afinal, não é isso o que realmente importa?

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